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Professor e um dos fundadores do Programa Semente, Eduardo Calbucci, explica a importância de comparecer ao segundo dia de prova mesmo que o resultado do primeiro dia tenha sido aparentemente ruim

Em 2018, a taxa de abstenção no segundo dia do Enem foi de 29,2% do total de 5,09 milhões de inscritos. Os dados foram divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP) e mostraram que o número de desistência aumentou na segunda etapa da prova (no primeiro dia a porcentagem era de 24,9). Na primeira prova do Enem 2019, que aconteceu no último domingo 03, o número de abstenção foi de 23% entre os 5,1 milhões de candidatos.

Para Eduardo Calbucci, professor e um dos fundadores do Programa Semente, um dos motivos que podem levar à abstenção no segundo dia são os pensamentos que aparecem na semana posterior à aplicação do primeiro caderno. “Muitas vezes as emoções preponderantes na primeira prova são ansiedade e preocupação. Já na segunda, os candidatos podem apresentar sentimentos negativos como frustração e desânimo”.

Com o término da prova, os vestibulandos ficam mais expostos a comentários sobre as questões e precisam ter maturidade e resiliência para a segunda parte do exame. “De repente ele escuta algo de um aluno que acha que foi muito bem. O candidato pode dar um peso tão grande a isso, que essa percepção pode acabar afetando o seu resultado no segundo dia.

A distância de uma semana entre as provas pode ajudar o aluno a exercitar o autocontrole para se sair melhor no segundo dia da prova, caso tenha a percepção de não ter ido bem no primeiro dia. Para Calbucci, “o vestibulando tem a chance de tomar decisões de maneiras mais sensatas”. O professor aconselha a gastar energia com o que ainda pode ser mudado. “Isso está muito ligado a algo que nós chamamos de flexibilização cognitiva. O que significa? É você desafiar os pensamentos que estão atrapalhando o seu bom resultado”, explica.

O candidato precisa focar no futuro, porque ele não pode mudar o passado. Quando pensamos nesse aumento da abstenção, vemos que muitas pessoas não conseguem esse resultado porque falta resiliência e determinação. E, às vezes, esse candidato descobre que, no fim das contas, não tinha ido tão mal no primeiro dia. Independente do que aconteceu na primeira prova, se alguma coisa não deu certo, é preciso transformar aquele erro em aprendizado e fazer com que aquilo não se repita.”, atenta o professor.

Correção do gabarito

Outro ponto que Calbucci chama atenção é a correção do gabarito do primeiro caderno da prova. Muitos alunos têm dúvidas sobre o momento mais adequado para descobrir quantas questões acertou. Para decidir a melhor opção é preciso autoconhecimento. “É uma decisão muito pessoal e ninguém além do próprio aluno sabe se ele seria bem ou mal influenciado por um resultado aparentemente ruim.

O professor completa: “Lembrando que o Enem não divulga um gabarito depois do primeiro dia e, se o candidato contar quantas acertou, ele vai usar um gabarito extraoficial, ou seja, não há uma garantia. Outra coisa que precisa ser considerada é que a prova é corrigida por um modelo chamado TRI, onde não importa muito o número de questões acertadas, mas sim a coerência das respostas dadas. Isso significa dizer que, às vezes, um resultado pode ser mal interpretado pelo aluno.

Sobre o Programa Semente (www.programasemente.com.br) – Com uma abordagem moderna e inovadora, o Programa Semente está presente em escolas brasileiras contribuindo para o desenvolvimento socioemocional de alunos e educadores. A partir de um material escrito por educadores, médicos e psicólogos, sua metodologia possibilita que sejam trabalhadas em sala de aula questões como sociabilidade, autoconhecimento, autocontrole, empatia e decisões responsáveis, entre outras habilidades, cada vez mais presentes no mundo do trabalho e nas principais avaliações internacionais de educação, como o PISA. Desta forma, o Programa Semente contribui para a alfabetização emocional.