Em entrevista ao site da revista Quem, Diego Hypolito abriu o jogo sobre sua vida pessoal, falou sobre esportes, depressão e foi sincero em relação aos seus sentimentos e todo o conflito gerado em sua cabeça ao se descobrir como gay, toda a repulsa na descoberta, motivada principalmente por preceitos religiosos.

“Na adolescência, eu já sentia algo estranho, mas não me aceitava. Eu achava que se eu fosse assim, eu não iria para o céu, que eu estava pecando. Eu relutei muito. Eu tive relacionamentos com mulher, mesmo sabendo na minha cabeça que eu era gay. Eu brigava contra isso e não ficava com homem. Isso me fez muito mal”, disse o atleta, que continuou seu relato: Por mais que eu tivesse um carinho e respeito pelas minhas namoradas, era péssimo o que eu estava comigo e com ela só porque a sociedade me obrigava. Até eu descobrir que a gente tem que fazer o que nos faz bem”, afirmou Diego Hypolito.

O ginasta contou ainda com quantos anos teve sua primeira experiência homossexual, aos 19 anos, e contou um pouco como foi.

“Lembro exatamente como foi. (Tinha 18 anos) estava em São Paulo voltando de uma viagem, era época ainda do MSN. Quando ele veio falar comigo dando em cima de mim, eu falei que não era gay e o bloqueei na hora. Aí, a amiga dele veio falar comigo”, iniciou Diego Hypolito. “Ele insistiu e foi me encontrar na chegada de um voo internacional no aeroporto e a gente foi para um hotel, mas depois me senti muito culpado. Eu fiquei com ele várias vezes ainda depois, mas relutava. Eu tinha um problema de aceitação muito grande”, desabafou.

Diego ainda falou subre sua biografia que deve ser lançada em breve. “Ela já está pronta, na verdade. Ela só demorou porque tinham muitas coisas que eu tinha medo de falar publicamente. A questão da minha sexualidade, do bullying, da depressão, que eu já estive internado e tive vontade de me matar. Eu pensei em tomar remédio e também de pular em janela. Foi muito pesado. Mas eu quis expor porque este é um problema que muitas pessoas passam e não falam com ninguém. É importante conversar e se abrir com o outro para você ter ajuda. Hoje em dia, eu tenho consciência que eu jamais tiraria a minha própria vida”, garante.

O ginasta Diego Hypolito contou ainda que precisou fazer terapia e tratamento psiquiátrico para superar alguns traumas da infância e adolescência, na época em que treinava no Flamengo e era constantemente vítima de bullying e práticas constrangedoras, como pegar pilhar com o ânus – o caso foi exposto pelo próprio atleta em entrevista ao “Fantástico”, da TV Globo, no ano passado.

“A única coisa que eu posso dizer é que isso não acontece mais na atualidade, porque denunciaram, expuseram quem fez. Mas isso ficou marcado na minha história, na minha vida. Foi uma fase horrorosa que eu passei”, revelou Diego Hypolito, que após compartilhar sua história de forma pública gerou comoção nas redes sociais e recebeu o apoio dos internautas.

“Foram remédios e janela também, de tentar pular”, contou. “Isso são coisas muito pesadas, eu sei. Mas são coisas que muitas pessoas passam e depois não sabem como lidar com isso”, completou.

Diego afirmou que algumas situações que aconteceram em sua vida contribuíram para que ele passasse por um momento depressivo, como sua demissão do Flamengo, duas quedas durante as olimpíadas, ter que morar sozinho em São Paulo e o término de um namoro.

“Eu me sentia muito feio e quando [o namoro] terminou, achei que nunca mais ia conseguir ninguém porque era feio demais”, contou.

Em outro momento o esportista afirmou que em 2014 chegou a procurar ajuda profissional e, por conta disso, acabou sendo internado por alguns meses daquele ano. Após sua saída da clínica, Diego retornou à ginástica e acabou virando medalhista mundial.