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Desde o último final de semana, os meninos da banda Fly, estão no centro de uma polêmica na web, que acabou envolvendo não só seus fãs e haters, mas também vários artistas brasileiros. Tudo devido a uma entrevista que a banda fez para a revista Atrevida, que de atrevida não tem nada, sobre hábitos de beleza e comportamentos femininos.

Nela o músico Caíque Gama foi considerado racista ao dizer que tranças “para quem tem cabelo ruim é uma salvação”. Não bastasse este comentário infeliz, em outro trecho o cantor Paulo Castagnoli também faz uma declaração considera machista pelos internautas: “Às vezes posto foto sem camisa, então quem sou eu para julgar? Acho legal, mas a menina tem que se portar como uma menina”.

O assunto viralizou e algumas imagens da entrevista da banda começou a ser compartilhada na rede. E os internautas não demoraram a criticar não só os integrantes da banda, mas também a revista Atrevida, por achar normal os comentários feitos pelos cantores.

“Nojo de vocês. Era fã, mas peguei nojo na hora. Injúria racial e discriminação, crimes de ódio, são inafiançáveis”, escreveu a internauta Mel Constantino na página do trio no Facebook.

“Ruim mesmo é ter que aturar esse seu preconceito. Aliás, meu “cabelo ruim” deve ser melhor do que seu caráter. E esse cabelo aqui,do jeito que ele é, mostra o orgulho de uma raça ok?!”, afirmou Danielle Meireles.

“A revista que publicou essa matéria é tão machista, rascista e preconceituosa como a fly”, disse o perfil @destinoperina no Twitter.

Mas a polêmica não parou por aí, a cantora Karol Conka, o cantor  Guilhermme dos Santos, do grupo concorrente P9, e o cantor Emicida também entraram na discussão.

Já o cantor Emicida disse “cabelo ruim? Nada, ele é bonzão, ruim é ter que explicar pra esses peida na farofa racista que o nome dele é crespo a 5 séculos. #ubuntu”. O cantor Caique Gama tentou se justificar com uma megapostagem em sua conta no Instagram, mas como já dizia o ditado “Em boca fechada não entra mosca” e “Quando mais se mexe na mer@@ mais fedido fica”, a resposta acabou não pegando tão bem.

[…] Quando dei minha opinião para a revista eu não me referia a nenhuma cor ou etnia, eu me referia a usar uma trança como salvação de um dia que o cabelo não está legal. pessoas entenderam e interpretaram aquilo muito, muito errado. peço desculpas pelo mal entendido. […] o preconceito está nos olhos de quem leu a matéria e ligou a opinião a uma etnia, uma cor. racista é quem vem nas minhas fotos me chamando de branquejo, azedo, você não conhece minha raiz, você não conhece minha família”.

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atrevida

Em defesa da banda, seguidores da banda lançaram no Twitter a hashtag #EstamosComVoceCaiqueGama, acompanhadas de imagens do músico ao lado de fãs negras. “Olhando esta foto,ele parece racista pra voce?”, questiona uma das publicações, que  não ajudou muito. Karol Conka se pronunciou mais uma vez, desta vez através do seu Facebook falando que, independente do que uma banda adolescente diz, todas as meninas podem usar o que quiserem, como quiserem. E ainda fez um trocadilho com uma música deles:

NOSSO CABELO CRESPO É LINDO! <3Ninguém diz como nós, mulheres, devemos nos comportar! Menina se comporta como ela quiser!Charge: Vini Oliveira

Posted by Karol Conka on Segunda, 5 de outubro de 2015

Esta não é a primeira vez que a revista Atrevida entra em uma polêmica. Há alguns meses a publicação adolescente resolveu fazer uma matéria sobre as maquiagens “que os meninos não gostam que as meninas usem”. Não precisa dizer que a revista foi destruída pelos internautas, ao querer impor um modelo de beleza para as adolescentes. E você, o que acha desta polêmica toda?