Nem todas as pessoas têm o hábito de usar o filtro solar nos dias nublados. No inverno, o número de usuárias fica ainda menor. Sem contar que a forma como esse produto é aplicado também reflete a confusão que as instruções de beleza podem representar.

Muitos passam uma camada fina do produto, quando o correto, para que não se perca seu fator de proteção, é usar uma generosa quantidade no rosto, orelha e pescoço. Embora tal costume (ou a falta dele) represente riscos à saúde, esse não é o único ritual do cotidiano de beauté que precisa ser revisto.

Quer um exemplo? Sabe aquelas máscaras caseiras sugeridas de amiga para amiga e que prometem esfoliar a pele com grãos de frutas ou amaciar o cabelo com ingredientes diversos? Podem ser ultra prejudiciais. Segundo Maurício Pupo, professor e diretor da Ipupo Consult, consultoria especializada no desenvolvimento de nutricosméticos, essas receitas, além de não trazer os benefícios desejados, ainda podem colocar sua saúde em risco.

Os únicos itens da culinária que você pode usar em prol da beleza são a aveia, o mel, o chocolate, o iogurte e o óleo de oliva”, afirma o profissional. “Usar frutas na pele pode provocar reações alérgicas como dermatite e até queimaduras”, diz. De acordo com Pupo, você não deve usar nada que não tenha regulamentação da Anvisa – leia-se produtinhos sem rótulos, vendidos por “sei lá quem” e para “sei lá qual” finalidade, ou receitinhas que mais parecem para serem consumidas do que aplicadas.

Pupo esclarece: “as fórmulas manipuladas, ainda que contenham extratos de frutas, passaram por testes que asseguram seu uso, diferentemente de combinações de ingredientes feitas em casa e que podem acarretar sérios danos”.”

Existem outros hábitos que a brasileira não abandona, ainda que sem embasamento. “Como o costume de acreditar que qualquer produto importado possa ser melhor que o nacional”, diz Pupo. Na verdade, o cosmetólogo afirma que alguns itens sequer são indicados para o tipo de pele que as brasileiras têm.

Os produtos europeus, segundo ele, podem ter até 20% de óleo por causa das baixas temperaturas, sendo que a média dos nacionais não passa de 2%. “São produtos mais leves”. Também não vale se enganar pelo preço. “O valor pode estar muito mais relacionado com o posicionamento da marca no mercado do que com a qualidade das matérias-primas utilizadas.”

Outra tendência bastante vista é a procura por xampus sem sal, quando, na verdade, o elemento é essencial para o cabelo já que é ele que permite aos fios segurar a umidade e manter-se hidratado. “Além disso, todas as fórmulas contêm sal. O que algumas empresas fazem é não adicionar mais sal ao produto”, esclarece.

Ao que parece, nem quem sempre tem um encontro marcado com o dermatologista está a salvo. “Muitas pacientes procuram esse profissional em busca de soluções de beleza e não com assuntos relacionados propriamente à saúde”, afirma Pupo.

Para o profissional, é preciso distinguir a função do dermatologista, responsável pela manutenção e cuidado da pele, com a do farmacologista, por exemplo, a quem podem ser solicitadas fórmulas sem apelo medicinal, como maquiagens e outros cosméticos ou produtos estéticos.

Fonte: Abril.Com