8 de março, Dia Internacional da Mulher. Dia também de lembrar como é importante que as meninas possam ter suas infâncias e adolescências preservadas para não se tornarem mulheres antes da hora. Para marcar a data, a organização não-governamental Plan International Brasil lança três vídeos com palestras realizadas no evento Girl’s Talk, durante o Festival de Inovação e Impacto Social (FIIS), ocorrido em Poços de Caldas (MG), no final do ano passado. O Girl’s Talk funciona no mesmo modelo dos eventos TED e abre espaço para que meninas e mulheres compartilhem trajetórias e aprendizados.

Quarto lugar no ranking mundial de casamentos infantis, o Brasil vê a infância de milhares de meninas ser reduzida em vários anos sobretudo como consequência de gestações precoces, que também causam o abandono escolar. “Nminha cidade, a cada seis pessoas que concluem o Ensino Fundamental, apenas uma termina o Ensino Médio. A cada 300 pessoas que terminam o Ensino Médio, apenas uma conclui o Ensino Superior. Fui contra as estatísticas, diz a maranhense Luciana dos Santos, de 26 anos, formada em Serviço Social, ao contar sua história. O sonho de Luciana era conseguir concluir o Ensino Médio sem ficar grávida para não repetir as histórias de sua mãe e sua avó.

A também maranhense Julia Rebeca, de 15 anos, ficou irritada no ano passado ao ser cumprimentada no dia 8 de março. “Ainda não sou uma mulher. Sou uma menina, uma adolescente. Sou um ser em construção. Para mim, essa construção acontece todos os dias, quando tenho contato com as mulheres, quando estou me esforçando para ter uma vida profissional, diz Julia. “A partir da menstruação, entre 11 e 14 anos, a menina é obrigada a ficar em casa cuidando, limpando e passando. Outra coisa que me chateia muito é quando a menina aprende a cozinhar algo gostoso e já vem o ditado já pode casar. O Maranhão, onde Julia vive, é o estado brasileiro campeão de casamentos infantis.

Quem também contou sua história foi a paulista Evelin Firmino, de 16 anos. Praticante de salto com vara, ela sonha em ser atleta olímpica. Eu sei que posso saltar mais alto, posso realizar meus sonhos. Basta ter confiança em mim mesma, diz. Mas a confiança só ganhou espaço em sua vida recentemente. Até um ano e meio atrás, Evelin era mais calada e sorria pouco. Tinha vergonha de seus dentes. Conseguiu um tratamento ortodôntico pela Turma do Bem e a segurança de poder sorrir e se expressar. Vocês precisam achar o ponto fraco de vocêsque está abalando a confiança e achar essa confiança de novo, nunca desistir”, diz. Se o atletismo não der certo, Evelin já decidiu que poderá seguir o caminho da odontologia.

Acompanhe os vídeos na íntegra em http://girlstalk.com.br/.