Quanto mais baixa a temperatura do ambiente, maior a temperatura do chuveiro. Porém, o que muitos não sabem, é que essa alteração de temperatura pode intensificar a caspa, problema que atinge entre 15 e 20% da população. “A caspa, nome popular da dermatite seborreica, é uma inflamação responsável por produzir descamação da pele, sendo o couro cabeludo a região mais atingida pelo problema“, explica Angélica Pimenta, dermatologista e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), acrescentando que “a caspa também atinge as sobrancelhas, rosto, orelhas, e em alguns casos, há alteração da imunidade, atingindo o corpo todo, inclusive bebês e recém-nascidos“. O problema pode causar vermelhidão, coceira e ardência, além de estar relacionado com fatores genéticos ou emocionais. “Apesar de ser considerada uma inflamação de cunho genético, fatores emocionais, como estresse, desordens nutricionais e desequilíbrios hormonais, também provocam e intensificam a caspa”, afirma Angélica.

No frio, a caspa piora devido a uma maior quantidade de secreção oleosa, conhecida como sebo (óleo que recobre os fios), gerado pelas glândulas sebáceas para compensar o ressecamento da pele. Nesse caso, o banho quente pode contribuir para o aparecimento ou piora da caspa, já que a água quente estimula a produção das glândulas secretoras de sebo. “A caspa é variante de uma doença dermatológica chamada dermatite seborreica, que ocorre nas áreas mais oleosas do couro cabeludo. A água quente, por exemplo, estimula a oleosidade do cabelo, sendo necessário reforçar os cuidados diários durante a época”, explica Angélica. Mesmo nas baixas temperaturas, o ideal é lavar o cabelo com água morna ou fria. “Enquanto uns higienizam os cabelos com a água muito quente, outros acabam lavando pouco os fios, e isso também auxilia para o aumento da caspa. Além disso, ingerimos mais carboidratos e alimentos gordurosos no frio, e isso também acentua o problema”, explica Angélica.

A descamação também é uma das principais causas da queda de cabelo nas estações frias. Isso porque quando as bases capilares inflamam, as pessoas coçam a região, fazendo com que haja uma maior queda. “À medida que há um controle e redução da descamação, a alopecia provocada pela dermatite acaba… a caspa não tem cura, porém não é contagiosa e acomete somente pessoas com propensão a tê-la, independente da idade. Mas, é possível controlá-la”. Saiba como evitar o problema, seguindo as dicas abaixo:

1) Enxaguar bem o cabelo para retirar todos os resíduos do couro cabeludo, pois o acúmulo, especialmente do condicionador, auxilia na descamação;

2) Lavar os cabelos pelo menos três vezes por semana, com água morna ou fria;

3) Na hora de lavar o cabelo, fazer massagem na raiz com a ponta dos dedos durante cinco minutos. Isso ajuda a ativar a circulação no couro cabeludo. Mas, cuidado: esfregar com as unhas pode estimular a produção de sebo;

4) Se utilizar condicionador ou leave-in, aplicá-los apenas do meio às pontas dos fios. Não aplicar na raiz; evitar prender e dormir os cabelos úmidos;

5) Optar por shampoos que contenham ácido salicílico no inverno, e ao lavar o couro cabeludo, deixar agir por cinco minutos; shampoos com essências mentoladas costumam ajudar na redução da coceira no couro cabeludo;

Angélica Pimenta (CRM 120847) é membro e dermatologista especialista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Sociedade Brasileira de Laser em Medicina e Cirurgia (SBLMC) e do Grupo Brasileiro de Melanoma (GBM), além de Sócia da Associação Brasileira de Medicina (ABM). Possui aperfeiçoamento acadêmico em Dermatologia na Universidade de São Paulo (USP), habilitação em Dermatologia pela Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo e Curso de Transplante Capilar realizado no 19th Annual Scientific Meeting in Anchorage, no Alasca (EUA).