Olá Ligação Teen, tenho 17 anos e sou gay. Sinto que esta na hora de assumir para minha família, mas não tenho coragem. Não aguento mais viver uma vida de mentira. O que devo fazer. Como contar que sou gay sem me machucar? (Rodrigo, via formulário de contato)

Que atire a primeira pedra o adolescente gay que não tenha passado horas imaginando “como contar que sou gay” para os meus pais, família e até amigos. São horas mergulhado sozinho em uma depressão, muitas neuras e medos, principalmente se a sua família é muito religiosa ou conservadora. É, se assumir para os pais não é fácil, afinal não é algo que aprendemos na escola ou em livros, e diferente dos héteros que não precisam dizer nada para ninguém, e mesmo que não sejamos cobrado por algo nos sentimos na obrigação moral de contar, até mesmo para evitar um relacionamento sustentando pela mentira, com pessoas que amamos.

Como acreditamos que muitos LGBTs devem estar se fazendo esta pergunta “como contar que sou gay?” assim como você, então vamos te responder de uma maneira mais genérica, mas que vai te ajudar a te preparar um pouco mais para este momento, segue abaixo algumas dicas para você.

1. Você está seguro(a) que é homossexual?

Se você ainda está confuso(a), se tem dúvidas se é mesmo homossexual, é melhor dar mais um tempo, pois, a confusão de sua cabeça pode provocar confusão ainda maior na cabeça das outras pessoas, sobretudo em sua família. Nunca assuma sua homossexualidade como forma de agressão ou vingança, num momento de raiva. Uma decisão tão importante tem de ser bem planejada.

2. Como se assumir?

Primeiro faça amizade com algumas pessoas já assumidas. Troque idéias com outras: saiba como elas vivem, como se assumiram, das vantagens de deixar de ser enrustido(a). Freqüente um pouco o ambiente homo para ver com qual dos diversos modelos de vivência gay você se identifica mais. Procure fazer boas amizades. Não faça nada de que vá se arrepender mais tarde. Depende de você fazer de seu futuro enquanto homossexual uma bênção ou uma desgraça.

3. Você se sente satisfeito(a) com seu homoerotismo?

Se ainda tem sentimentos de culpa, se acha que está errado, que tua forma de amar é pecado e se tem períodos de depressão, é melhor resolver primeiro estes problemas. É básico assumir-se primeiro em outros ambientes antes de abrir o jogo com a família. Para enfrentar esta barra, você precisa estar muito seguro(a) e ter uma auto-imagem bem positiva de sua própria homossexualidade. Auto-estima é indispensável para ser feliz.

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como assumir aos meus pais que sou gay

4. Você conta com o apoio de alguém?

É fundamental que você conte com a compreensão de algum parente ou amiga próxima da família, que possa acalmar seus pais se a reação deles for devastadora. Esta pessoa é também importante para dar-lhe apoio emocional para enfrentar essa nova situação de vida. Discutam todos os detalhes, as reações previsíveis de ambas as partes, e se achar prudente, esteja com esta pessoa amiga por perto no momento da revelação.

5. Você tem bons argumentos sobre a homossexualidade?

Isto é muito importante, pois a maioria das pessoas, inclusive nossos parentes, têm medo ou ódio dos homossexuais (assim como têm preconceito racial) porque nunca souberam a verdade sobre esses temas. Você deve ter as respostas certas para substituir a ignorância do preconceito pela verdade dos fatos.

6. Qual o melhor momento para revelar que é homossexual?

Se você avalia que sua família poderá ficar muito abalada ou que talvez não aceitarão sua orientação homossexual, infelizmente, é melhor continuar “fingindo que não é, e eles fingindo que não sabem”. Se você acha que eles primeiro vão condenar, depois vão aceitar, escolha então uma ocasião em que a família estiver tranquila, sem doenças graves ou mortes próximas. O importante é demonstrar que a única coisa que vai mudar no relacionamento familiar a partir de agora, é que você deixará de viver na clandestinidade, continuando a mesma vidinha de amor e respeito como antes da revelação. Tranquilize-os que você não viverá de escândalos, não será promíscuo(a) e que sabe como se cuidar.

7. Você depende de sua família?

Se você é jovem e depende dos pais, talvez seja melhor esperar para se assumir quando tiver seu próprio salário e moradia independente. Contudo, caso decida abrir o jogo ainda morando com sua família, não aceite de forma alguma que eles a expulsem de casa ou imponham qualquer castigo ou repressão. Homossexualidade não é crime nem doença e você deve exigir que seja respeitada. Afinal, se alguém está errado não é você e sim quem discrimina os gays e lésbicas.


8. Seja paciente

Se teus pais são muito conservadores e moralistas, e se não desconfiavam de nada, certamente precisarão de mais tempo para se acostumarem com a ideia de ter uma filha lésbica. Isto pode levar meses ou até anos. Se para você é muito importante manter bom relacionamento com a família, então além de ser paciente, evite qualquer conversa ou atitude que possa aumentar a vergonha ou raiva que passaram a sentir por você. Não entre em detalhes sobre sua vida íntima, só leve algum amigo gay ou lésbica à sua casa se tiver certeza que ajudará os teus pais a te aceitarem melhor.


9. Família às vezes é melhor na fotografia

Lembre-se que família não é apenas ter o mesmo sangue. Ninguém escolhe a família que tem, mas amigo, sim a gente pode escolher. Se sua família recusa-se, mesmo depois de muitas tentativas e paciência de sua parte, a te aceitar e te amar como gay, não abra mão de sua realização e felicidade pessoal para agradar aos parentes. Quem está errado não é você, são eles que devem mudar, portanto, se não te aceitam como você é, construa novos laços de amizade, amor e compreensão. Cortar o cordão umbilical ou livrar-se da barra da saia materna, no início pode ser duro e difícil, mas é o primeiro passo de uma vida mais autêntica e feliz. Também não cuspa no prato que comeu, e se puder manter bom contato com seus pais, irmãos e demais parentes, já tem um bando de aliados para enfrentar a intolerância fora de casa.


10. Não é crime ser homossexual

Todo mundo nasceu para ser feliz. A História está do nosso lado, e os países mais civilizados, onde os gays, lésbicas, bissexuais e transexuais são respeitados como cidadãos, dão o exemplo que é melhor conviver e respeitar a pluralidade do que marginalizar as “minorias”. Se você sente amor, paixão e tesão por pessoas do mesmo sexo, saiba que não está sozinha: mais de 10% da humanidade é igual a você. Em cada quatro famílias, numa tem um homossexual. E para a sua maior segurança e calar a boca dos intolerantes, não se esqueça de citar famosos da história da humanidade, que como você, praticaram o “amor que não ousava dizer o nome”. Muitos homens e mulheres que você conhece que com garra, luta, sensibilidade nos ajudaram e ajudam a construir a nossa história e luta pela visibilidade, direitos e cidadania. Mire-se nesses exemplos.

fonte: Grupo Gay da Bahia, ONG fundada em 1980, pelo militante gay e professor Luiz Mott do Departamento de Antropologia da Universidade Federal da Bahia.

como assumir aos meus pais que sou gay

Estas são algumas dicas bem legais e baseada em experiência de anos, da ONG. Lembre-se que cada caso é um caso e só você poderá saber quando estará preparado. Procure não ser pego de surpresa apenas, tipo de seus pais virem te perguntar ou de descobrirem por outros meios, normalmente quando isso acontece a probabilidade de você ficar nervoso e ser pego num momento sensível é muito grande, e você neste momento precisa ser forte.

No meu caso em particular quando me assumi, imaginava uma reação de minha mãe e acabou sendo outra totalmente diferente e melhor. Eu fiquei muito mais nervoso do que ela no momento, porque ela me pegou de surpresa, já que eu sempre dizia que não queria namorar por causa dos estudos (desculpinha besta, mas muito utilizada).

Espero que dê tudo certo para você. Quando conversar com eles, nos mande notícias.

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