O Brasil é cheio de crendices populares, e uma delas diz que agosto é o mês do cachorro louco. Apesar de ser algo sem muita explicação científica, essa ideia se propaga ano após ano. Mas, afinal, de onde vem essa história? A equipe do Mega Curioso, vertical da NZN que aborda assuntos variados, foi em busca de desvendar o mistério.

De acordo com Diego Denck, redator do Mega Curioso, é possível encontrar fontes diversas que explicam que a lenda começou, pois agosto é o mês em que as cadelas mais entram no cio, deixando os machos eufóricos – ou “loucos”. Por conta disso, principalmente entre os cães de rua, há muitos uivos e acasalamentos, o que acaba causando muitas brigas entre os animais.

Com essa agitação, o vírus da raiva acaba se propagando com mais facilidade. A doença pode contaminar todos os mamíferos, inclusive os humanos, e são raros os casos de cura. Por isso a importância de vacinar os animais regularmente. O vírus ataca os nervos periféricos e depois parte para o sistema nervoso central, antes de se alastrar para as glândulas salivares, que são as responsáveis pela transmissão entre indivíduos.

Porém, ao contrário do que se pensa, não são os cães os maiores portadores da doença, também conhecida como hidrofobia: na verdade, são os morcegos os mais contaminados, mas gatos e cachorros são os que mais transmitem ao homem, devido ao convívio diário. Os primeiros sintomas costumam aparecer em até 45 dias após o contágio e podem se manifestar através de confusão mental, alucinações, convulsões, salivação excessiva, agressividade e desorientação.

Voltando à história do mês de agosto, a explicação bastante popular é a de que condições climáticas favorecem o cio das fêmeas, mas essa informação ainda não foi confirmada cientificamente. De acordo com Paulo Roberto Colnaghi, coordenador da Rede de Defesa e Proteção Animal de Curitiba, isso é apenas uma lenda. “É uma história que pegou e com o passar dos anos vem se falando muito. Alguns dizem que é por causa do início da Segunda Guerra ou por conta de Hiroshima e Nagasaki, outros apontam que é em função de as fêmeas entrarem mais no cio, mas a gente discorda disso, é uma bobagem”, garante.

Sendo a história real ou não, o ideal é sempre manter a vacinação dos animais em dia. A vacina contra raiva é facilmente encontrada em clínicas veterinárias, além de ser oferecida gratuitamente por algumas prefeituras em campanhas de vacinação.